Maria Padilha interpreta Regina, uma perua que preside a associação de moradores de um bairro chique da Zona Sul do Rio de Janeiro. Regina conhece Nenê (Marieta Severo) em um debate de um programa de rádio sobre a construção do viaduto que facilita o trânsito para a Zona Sul. Nenê é contra a obra porque acredita que isso pode causar a desapropriação das casas do bairro. “A Regina é contra porque ela acha que a Zona Sul vai ficar repleta de suburbanos. Ela, sem querer, chega a ser um pouco indelicada com a matriarca da família Silva. Como forma de se desculpar, a Regina decide ir ao show do cantor Fred Marques (Ney Latorraca) no Paivense e acaba adorando o ambiente. Eu acredito que assim como a Regina, tem muita gente que tem preconceito com o subúrbio, mas quando conhece se apaixona”, explica Maria Padilha.
Ney Latorraca e Maria Padilha, que já trabalharam juntos no cinema, teatro e TV, fazem uma participação especial no episódio deA Grande Família que vai ao ar nesta quinta, 04. Nos bastidores, Ney mostra animação e um pouco de nervosismo em seu primeiro trabalho na série. “Eu respeito muito esse núcleo, é uma delícia fazer um trabalho que se aproxima tanto do teatro. O clima é muito divertido, mas ao mesmo tempo a gente fica tenso e quer que tudo dê certo”, revela.
Na trama, Agostinho (Pedro Cardoso) organiza um show do cantor Fred Marques, interpretado por Ney Latorraca, no Paivense. Lineu (Marco Nanini), que é fã do artista, decide comprar convites para a área VIP do evento, mas nem tudo sai como o esperado.“Na verdade, o meu personagem é uma fraude. O Lineu acha que o Fred Marques é uma estrela da MPB que tem uma função política, mas ele não passa de um artista que não soube envelhecer, que parou no tempo”, define Ney Latorraca.
RIO - "Nunca peguei numa baquete, baqueta... não sei nem o nome", diz Marco Nanini enquanto manuseia desajeitadamente o acessório usado para tocar bateria. A profusão de instrumentos musicais nos camarins de "A grande família" tem motivo: o episódio que vai ao ar nesta quinta-feira, após "Insensato coração", é musical. No papel do cantor que chega ao clube Paivense para uma apresentação está Ney Latorraca, parceiro profissional de longa data de Nanini. A outra convidada do dia é a atriz Maria Padilha, como a presidente de uma associação de moradores de um bairro chique da Zona Sul. No ar há 11 anos, o seriado tem investido em participações especiais luxuosas nesta temporada.
- Quanto mais bem frequentado o programa, melhor! É uma honra receber todos esses atores de primeira. Os episódios com a Laura Cardoso, por exemplo, foram lindíssimos. É legal perceber que "A grande família" se tornou um lugar onde os colegas se orgulham de aparecer - opina Marieta Severo, a dona Nenê.
Nanini comemora a chance de atuar mais uma vez ao lado de Ney, seu parceiro de anos no teatro, em "O mistério de Irma Vap", e na TV em humorísticos como "TV Pirata" e na novela "Um sonho a mais":
- O Ney é um ótimo ator e essa é mais uma oportunidade para estarmos juntos. A rotina de nenhuma família se restringe ao núcleo familiar. São tipos que a gente vê por aí e é bom trazer para o programa.
A trama do episódio começa com uma entrevista de rádio. Dona Nenê e Regina (Maria Padilha) são contrárias à construção do famigerado viaduto que vai facilitar o trânsito para a Zona Sul. Nenê teme a desapropriação das casas e Regina diz que não gostaria de ver "pessoas diferenciadas" com acesso livre a seu bairro (qualquer semelhança com a polêmica em torno da construção de uma estação de metrô no bairro de Higienópolis, em São Paulo, não é mera coincidência). A observação provoca constrangimento e, a partir daí, dona Nenê resolve ser mais chique: compra um celular e roupas novas para estar à altura de Regina.
- Ela faz um comentário infeliz, mas não é maldosa. Tanto que depois começa a fazer amizade com os personagens - defende Maria Padilha, dizendo que também nunca morou no subúrbio, mas não é como Regina: - Não sou nenhuma patricinha, né? Tenho amigos que moram no subúrbio e algumas referências.
Em paralelo, Agostinho (Pedro Cardoso) organiza um show do célebre cantor Fred Marques (Ney Latorraca) no Paivense. Fã do artista, Lineu compra convites para a pista VIP do evento e Nenê convida Regina. Mas numa trama que envolve um celular sumido, um playback mal executado, a relação pouco amigável com os fãs da pista normal e as cantadas de Paulão (Evandro Mesquita) para cima da perua da Zona Sul, a família Silva vai acabar descobrindo que o personagem de Latorraca é um picareta.
A caracterização dele, aliás, é uma piada à parte. O próprio Ney descreve Fred Marques como "um cantor que parou no tempo". Com suas vestimentas meio indígenas, o cabelo cuidadosamente desarrumado e as canções que falam de choupanas e rebanhos de inocentes, ele poderia soar um defensor dos fracos e oprimidos, como pensa Lineu. Mas a lista extensa de exigências e o desdém com a plateia do subúrbio acabam mostrando o contrário.
- Ele é um canalha. Uma pessoa muito diferente de mim - avisa Ney, em tom de deboche, enquanto o diretor-geral do programa, Luis Felipe Sá, explica aos figurantes a personalidade de Fred Marques.
Ney gravou previamente a música cantada por seu personagem. No momento da cena, os atores que aguardavam, sentados num banquinho, a hora de entrar, pararam o que estavam fazendo.
- Tô chocada. Quem canta é o Ney mesmo? - pergunta Maria Padilha, com semblante surpreso e já caindo na gargalhada.
O clima bom nos bastidores, aliás, é uma das marcas de "A grande família". Nos intervalos - e há muitos deles nesta gravação complicada, envolvendo vários personagens e dezenas de figurantes -, Guta Stresser, a Bebel, e Pedro Cardoso conversam sobre a recente decisão da atriz de parar de fumar, Pedro e Evandro discutem sobre a eliminação da seleção brasileira na Copa América e Marquinhos, como todos chamam Marcos Oliveira, o intérprete de Beiçola, diverte a trupe cantando "minha pedra é ametista...".
- É ótimo reencontrar este elenco que eu adoro. Me sinto no mesmo time e protegido em cena quando estou com a Marieta, o Nanini e o Felipe (diretor), por exemplo. Vou fazer 67 anos e 37 de TV Globo; faço as coisas que gosto. E acho que "A grande família" está num nível superior - classifica Ney, admitindo estar um pouquinho nervoso, no camarim, antes de entrar em cena: - Sou muito tenso.