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terça-feira, 2 de outubro de 2012

Sinopse dos Espetáculos Amor em tempos de guerra





Pague um, leve dois. Assim é Amor em tempos de guerra, projeto idealizado por Paul Heritage e Maria Padilha. Auto-intitulado “quase-teatro”, trata-se de uma leitura encenada de duas peças de William Shakespeare: Antônio e Cleópatra e Medida por Medida. Depois de quatro apresentações em comunidades de baixa renda do Rio, o espetáculo chega ao Teatro Leblon, onde ficará seis semanas.

Com direção do inglês Heritage, os atores Maria Padilha, Ricardo Blat, Sílvia Buarque, Guilherme Leme, Ora Figueiredo, Guida Vianna, Rodrigo Penna, Edgar Amorim e Marcos Daud têm suas marcações com texto na mão. E ainda ganham o auxilio da compositora Adriana Calcanhoto assinando sua primeira direção musical.

Com patrocínio da Eletrbrás, e graças ao esforço da equipe, Maria Padilha conseguiu viabilizar apresentações especiais em favelas da cidade, além de um ônibus que levará 100 pessoas por sessão, de comunidades carentes, para o teatro. Sensibilizados com a proposta, Gringo Cárdia, responsável pelo cenário, e Marcelo Pires, que cuida do figurino, deram ênfase à criatividade e à reciclagem.

FONTE: Revista Aplauso

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Entrevista - Maria Padilha



Inveja, conflitos e paixão, acrescentados de humor e drama, são alguns dos sentimentos universais presentes na trama de Shakespeare: Antônio e Cleópatra – um amor imortal. Em curta temporada no Palácio das Artes, o espetáculo apresentou a atriz Maria Padilha no papel da protagonista da rainha do Egito, Cleópatra, uma das personagens mais mitológicas da literatura ocidental.
Em sua breve passagem pela casa, Maria Padilha conversou com a equipe do Site Palácio das Artes sobre a peça que, apesar de se passar em Roma Antiga, fornece ao público questões atuais para compreensão do mundo contemporâneo. Além disso, Maria Padilha fala sobre sua atuação como idealizadora da peça, a composição de seu personagem e sua carreira no teatro e no cinema. Veja a seguir!

Você foi uma das idealizadoras da peça, promoveu as leituras. Está em seu quarto espetáculo shakespeariano. Por que investir nos clássicos?
Peter Brook tem uma frase em que dizia “na dúvida, monte um Shakespeare.” Acredito que suas peças têm sempre atualidade. Eu e o Paul Heritage, um amigo inglês, diretor de teatro em Londres, perdemos um amigo no Rio de uma forma brutal, ele levou um tiro no trânsito. Por isso, escolhemos dois textos que falavam de amor em tempos de guerra. De como colocar o nosso afeto em tempos tão terríveis. Um dos textos era Medida por Medida (também de Shakespeare) e outro, Antonio e Cleópatra.
Fazendo as leituras, fui percebendo que Antonio e Cleópatra é um texto muito mais bem acabado. Apesar de que Medida por Medida é interessantíssimo. Então, comecei a me interessar e a ver cada vez mais paralelos com a situação do Brasil, do mundo. Além disso, Shakespeare é um “perigo”, porque te move. Ali existem todas as situações possíveis, políticas, pessoais, por exemplo, a questão do amor maduro. Acredito que todos vão se identificar. Há também a questão da guerra preventiva, oriente contra ocidente. Há muitas situações ali que parecem estar pedindo para serem contadas. É como se nós seguíssemos uma ordem superior, alguém manda e a gente segue.

Segundo Ítalo Calvino, os clássicos são portas abertas para infinitas descobertas. É isso?
Qualquer pessoa que montar essa peça vai descobrir outras coisas que a gente não descobriu, vai encontrar coisas importantes que a gente achou. Há muito o que escolher.

Como fazer fluir essa mediação entre histórias universais e o público?
Do jeito que eu faço, acredito que há fluência. A gente tem que tirar um pouco da “pompa”, porque, na verdade, foram textos escritos para serem populares. Só que, por terem se tornado clássicos, livros de biblioteca, quando as pessoas vão montá-los ficam com excesso de respeito, não se apropriam do texto.
Quando os atores conseguem se apropriar das palavras e aquilo virar uma fala deles e dos personagens, acho que não há barreira. A linguagem ser um pouco diferente não é um problema. É sempre prazeroso ouvir uma peça poética, que o texto é poético. Por exemplo, acho Nelson Rodrigues um clássico também. Ele não escreve um português coloquial. Parece que é coloquial, mas não é. É um texto totalmente poético.

Há no espetáculo a combinação de humor e tragédia. Como isso é feito?
Escolhi essa peça por isso. Quando li, percebi que em momentos trágicos, há passagens engraçadíssimas e vice-versa. Por exemplo, o personagem que dá a cobra para Cleópatra se matar, na penúltima cena da peça, Shakespeare o escreveu como um “clown”, ou seja, um palhaço. Essa mistura de trágico com cômico é uma delícia. Para o ator, é difícil de fazer, mas acredito que é muito a cara da gente, o Brasil é um país tragicômico em todos os sentidos, infelizmente. Quando pensamos que não dá pra ficar pior, vem uma coisa mais “punk”. Mas, ao mesmo tempo, existe uma vitalidade que parece que o país tem uma capacidade de se renovar, de sair do buraco. O Brasil não se deprime.

Humor é também uma forma de ressaltar o trágico, concorda?
Sim, Paulo José (diretor da peça) falava uma frase que é de um teórico, o “humor é a intuição do trágico”. Quantos vezes já fui do riso para o choro? Eu, por exemplo, ri muito no enterro do meu pai. Sou louca por ele, mas quando a situação está muito pesada, vem uma descarga de humor. Shakespeare, nessa peça, não separou em entreatos cômicos, como em Hamlet, que tem o coveiro, ou em Macbeth, que tem o porteiro. Ele mistura tragédia e humor o tempo todo. Cleópatra é uma maluca, quase uma Dercy Gonçalves!

Falando em Cleópatra, o que foi fundamental para compor o personagem, uma figura cercada de mitos?
Eu sempre procuro nos personagens o que eles têm em comum comigo. O que for mais difícil de descobrir, eu estudo. Mas acabo descobrindo que também tinha aquilo, só que não sabia. Acho que nós todos somos um mar de sentimentos de facetas, que, às vezes, nem temos a oportunidade de vivenciar todas. Então, somos muitos personagens. Temos um universo dentro da gente. Eu trabalhei com Cleópatra como eu sempre trabalho. Procurei o que tem em comum comigo. O que não tem eu aprendo, e quando chego lá descubro horrorizada que também tenho traços horríveis e com coragem exponho isso para o público.

O espetáculo tem figurino e cenário luxuosos. Atualmente, esse tipo de produção parece uma exceção. Como lidar com os escassos patrocínios ao teatro?
Na verdade, figurino e cenário foram baratíssimos. Não estamos numa época boa para captação. No Rio, foi um “tal” de descolar madeira, tecido. Nós não compramos um corte de tecido para o figurino. Tudo foi permuta. Além disso, os tecidos que conseguimos são muito teatrais... a peça parece rica, mas foi feita com dinheirinho contado. O Hélio Eichbauer (cenógrafo) conseguiu fazer com simplicidade um cenário que muda muito, há cenas em Roma, guerra no mar... É bom produzir um teatro assim, pois viabiliza. Se gastar muito dinheiro, inviabiliza, gastam-se cinco anos para produzir. Aí, parece cinema.

Parte de sua formação ocorreu no conceituado teatro Tablado, do Rio. O que você prioriza na sua formação como atriz?
Certa vez estava fazendo uma peça com o grupo do Teatro Ipanema - Rubens Correa e Ivan de Albuquerque. Eu era muito garota, tinha 22 anos. Na ocasião, disse a eles que eram meus ídolos e perguntei “o que eu faço para aprender a ser atriz?” Eles me disseram: “faça peças difíceis, personagens difíceis. Trabalhe com atores bons, diretores bons”. Então, acho que a minha escola foram os atores com quem trabalhei, os diretores que me ensinaram. Se eu pensar na possibilidade de atuar em outra peça eu priorizo com quem eu vou fazer, mais até do quê fazer. Parcerias são fundamentais.

Sua preferência parece ser pelo teatro. Como é sua relação com as outras mídias, como o cinema?
Não é bem uma preferência. Nos anos 80, o cinema brasileiro estava meio esquisito. Havia muito resquício da pornochanchada. Então, me chamavam para umas coisas que eu achava meio constrangedoras. Nos anos 90, fiz mais cinema, atuei em Sábado (1995) eOs Matadores (1997). Mas, a partir daí, comecei a fazer muita televisão e não pude aceitar os convites para cinema. E agora, estou voltando. Vou fazer um filme, que não é produção minha, e estou envolvida numa produção também, chamado Amor Sujo. Digo que essa é uma produção do cinema brasileiro, é uma mistura, porque o diretor é pernambucano (Paulo Caldas), o roteirista é paulista (Marçal Aquino), a produtora é mineira (Vânia Catani) e eu, carioca. E tem ainda Seu Jorge e Lázaro Ramos. Estamos tentando começar as filmagens no segundo semestre do ano que vem.
O teatro é mais fácil porque precisa de menos investimentos. Acho que nos anos 90, depois do que se chama “retomada”, surgiram no cinema brasileiro pessoas que eu estou interessada em trabalhar. Pessoas que, inclusive, são da minha geração, de outros estados, que eu não conhecia e que me interessaram. E surgiu até a vontade de produzir filme, como estou fazendo agora: Saens-Peña Estação Final, com o Chico Diaz, meu companheiro de Os Matadores.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Estreia da Peça " Antônio & Cleópatra " Com Maria Padilha, Caco Ciocler e Paulo José



Cleópatra, a rainha ruiva



Estréia amanhã 'Antônio e Cleópatra', versão estrelada por Maria Padilha do clássico de William 
Shakespeare

Esqueça o cabelinho preto, cortado na altura do queixo. A Cleópatra de Maria Padilha é ruiva, de pele branca, características que ela descobriu escondidas no meio dos livros de história. É assim, com fios levemente acobreados, que ela aparece amanhã em Antônio e Cleópatra, clássico de William Shakespeare. A própria atriz é quem desfaz o mal entendido: 'Cleópatra era grega. Nas imagens da Renascença, por exemplo, aparece loura. A visão que temos da rainha do Egito é uma fantasia do que se vê nas pirâmides, onde ela aparece fantasiada como a deusa Ísis. Aquilo era uma peruca', conta. Em entrevista ao JT, Maria fala sobre o prazer de voltar aos palcos paulistanos após sete anos de ausência e manda um aviso para os noveleiros de plantão: 'Não vou atuar em TV tão cedo.'

JT - Recentemente, Alessandra Negrini interpretou Cleópatra também. Com tantas versões para uma mesma mulher, como compor a sua?
Nosso cenário não tem pirâmides, também não mostramos o Coliseu em Roma. Nas peças de Shakespeare, o cenário é preenchido com palavras. E isso se aplica também aos personagens. A Cleópatra de Shakespeare é peculiar, é completamente diferente da Cleópatra de Júlio Bressane, vivida pela Alessandra. Quando a peça começa, Cleópatra já tem 38 anos e até reclama de rugas. Shakespeare optou por mostrar o amor maduro entre ela e Marco Antônio ( interpretado por Adriano Garib). Episódios clássicos, como o de Brutus, aconteceram antes, não são mostrados.

Esse recorte peculiar de Shakespeare não acaba banindo fatos importantes?
Shakespeare não ambicionava fazer reconstruções históricas. Como seria possível retratar com exatidão coisas das quais não se tem registros precisos? Seria uma armadilha. Shakespeare prioriza a alma humana, mostra a dificuldade que é viver uma paixão quando se tem muito a perder. Marco Antônio e Cleópatra eram o homem e a mulher mais poderosos de seu tempo, tinham filhos, não era tão fácil jogar tudo para o alto. Apesar da densidade, o texto é engraçado. Tragédia e comédia caminham juntas.

Você é conhecida por causa da TV, mas tem mais peças do que novelas no currículo. Qual é seu foco hoje?
Dei um tempo na TV. Minha última novela foi Mulheres Apaixonadas, que tem três anos ... Não é que eu queira deixar as novelas para sempre, mas já fiz muitas nos anos 90. Decorar capítulo todo dia não é fácil. Gosto de estudar, sou aplicada. Se você me perguntasse sobre TV no início da carreira, eu diria: 'odeio novela'. Sofri muito em Água Viva (de 1980), era minha estréia. Levei um susto. Achava tudo rápido, aquilo não me seduzia. Queria ensaiar, sabe?

Hoje, 17 programas depois, se rendeu?
Aprendi que precisava ter mais jogo de cintura para fazer TV. Novela é como jornal: descartável. A notícia pode ser ótima, mas no dia seguinte está embrulhando peixe. Capítulo de novela pode ser excelente,mas no dia seguinte tem outro. Um dia percebi que esses defeitos da TV poderiam virar qualidades. Descobri que poder me comunicar com Amapá, Rondônia ou qualquer subúrbio era fantástico. Perdi a birra.

Já popular na TV, aceitou posar nua para custear uma peça em 1994. Isso foi uma declaração de amor ao teatro?
Foi uma manifestação de desespero! (risos). A peça estava toda pronta, era A Falecida, de Nelson Rodrigues. Dias antes da estréia, o patrocinador desistiu da gente. Um amigo me sugeriu posar nua para conseguir o dinheiro e fui à luta. Liguei para Juca Kfouri, que na época estava na Playboy, e acertei meu cachê diretamente com ele. Não me arrependo, eu estava obcecada para montar a peça. Hoje, não sei se teria compulsão tão grande por algum projeto a ponto de tirar a roupa para pagá-lo.




(SERVIÇO)Antônio e Cleópatra.
Peça de Willian Shakespeare, com direção e adaptação de Paulo José.
Teatro Sesc Vila Mariana (Rua Pelotas, 141. Tel.: 5080-3000). Sextas e sábados, às 21h. Domingo, às 18h. Ingressos: de R$ 10 a R$ 30. Censura: 12 anos





quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Peça " Antônio & Cleópatra





 



                                            
                                                                                                                                                                                                photo

Maria Padilha, em cena com a peça 'Antonio e Cleopatra', de 2006

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

" Ela quer ser mãe "

   Ela quer ser mãe
 Em cartaz com a peça Antônio e Cleópatra, Maria Padilha fala sobre a perda do pai e da irmã mais velha e revela que, aos 46 anos, está amadurecendo a idéia de ter ou adotar um filho.
“Essa coisa de computador, orkut, não passa pela minha
cabeça. Tenho tão pouco tempo para me dedicar aos amigos
que tenho, vou fazer novos?”, diz a atriz

Não convide Maria Padilha para ir a Nova York – ela tem medo de ser barrada no aeroporto. O motivo: as tatuagens de hena de inspiração árabe-oriental que ela fez no braço e na perna esquerda para protagonizar a peça Antônio e Cleópatra, que está em cartaz em São Paulo após uma temporada no Rio de Janeiro. “Há toda uma tensão com o mundo árabe no momento. No Carnaval fui a Paris, entrei numa loja superchique e as mulheres me olhavam assim... Aí explicava que estava fazendo Cleópatra numa peça e elas achavam o máximo”, conta. Há nove meses com os desenhos de uma flor de lótus e uma serpente no corpo, a atriz já se afeiçoou às tatuagens. “Adoro quando ficam prontas, mas fico com ódio quando começam a sair e ficam manchadas, parece doença de pele.”
Antônio e Cleópatra encerrou um ciclo de cinco anos de Maria longe dos palcos. O trabalho foi fundamental para a atriz se recuperar de dois grandes baques sofridos em 2005. Em abril, ela perdeu o pai, Antar Padilha Gonçalves, um conceituado dermatologista. Dois meses mais tarde, foi a vez de sua irmã mais velha, Anna Luisa, falecer, vítima de um câncer no pulmão. “Anna era meu esteio, minha segunda mãe”, diz ela, que perdeu a mãe Maria Noemia aos 10 anos. “Meu pai morreu também por não agüentar ver a filha passar por tudo o que passou. Ela teve um câncer muito agressivo, durou um ano e meio. Primeiro, tirou o pulmão, depois um tumor no cérebro. Foi meio torturante. Um homem não vive 89 anos para ver uma filha morrer”, diz. “Tinha dia que estava saindo do hospital após visitar minha irmã e logo tinha que voltar, ao mesmo hospital, pois meu pai estava sendo internado.” Amigo e diretor deAntônio e Cleópatra, Paulo José elogia o que ele chama de “valentia” de Maria. “Ela é batalhadora, corajosa, aceita grandes desafios e não se deixa abater. Os dramas da vida ela resolve como uma grande artista”, diz.
Aos 46 anos, Maria Padilha diz que a chegada dos 50 não chega a assustar, mas mexe com alguns aspectos fundamentais de sua vida. “Dá uma certa urgência, de não perder mais muito tempo com certas coisas... Se eu pudesse, desconhecia metade das pessoas que conheço. Essa coisa de computador, orkut, não passa pela minha cabeça. Tenho tão pouco tempo para me dedicar aos amigos que tenho, vou fazer novos? Sou que nem o Roberto Carlos, já tenho um milhão de amigos”, brinca a atriz, que já foi casada três vezes – nenhuma no papel –, mas não teve filhos. A idéia, porém, não foi descartada. “Biologicamente ainda posso ter filhos se eu quiser. E também tem a opção de adotar, que é tão interessante quanto. Tenho pensado muito nisso de uns três anos para cá. Estou amadurecendo (a idéia), quase amadurecida”, afirma. E quanto a mais um casamento? Ela diz que toparia, mas com uma condição: “Tem que ser para morar em uma casa com muito espaço. Para eu poder achar que sou solteira, quando quiser. E a outra pessoa também, claro”, diverte-se.